BLOGGER TEMPLATES AND TWITTER BACKGROUNDS »

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

A beleza de Hellen

David relembra a apaixonante formosura da sua noiva, Hellen. A fusão das nostalgias com os traumas emerge nuances do fascínio que ainda não se dissipou. Quanto tempo se terá passado? Semanas? Anos? Com David, nunca se sabe.


« Sol… já lá vão os tempos em que eu e a minha apaixonada dávamos longos passeios à beira-mar e nos banhávamos no calor intenso do meio-dia… O ricochete dos raios na sua cristalina pele de diamante era estonteante a qualquer um. Os fogosos caracóis indomáveis que se deleitavam no sabor do seu pescoço, descansando por fim no seu decote, pareciam absorver todo o fulgor com os seus tons de cobre, duplicando o brilho final. Era assim que, em conjunto com os seus lacustres olhos florestais e lábios corados de rubi, parecia iluminar qualquer espaço. Perdida a minha luz guia, agora detesto este aro reluzente pendido no céu, também provavelmente porque a escuridão e as sombras me têm vigiado tão bem. »


RETIRADO DE "Alucinações - Capítulo 1"


0 comentários:

Epílogo

«Mais uma noite… mais uma vida onde morri em oito horas, e continuo aqui… a pensar assustado mas lucidamente. Encosto a cabeça às almofadas da cama, limpo o suor que me tolda o rosto e respiro de alívio. Que confusão… pela terceira vez encontro o meu apartamento como se tivesse descido e regressado do inferno. A minha cama sem lençóis, as minhas paredes carcomidas e queimadas pela luta incessável da minha mente, o relógio partido e sem ponteiros, portas sem maçanetas, janelas reforçadas com fita adesiva e estilhaços de vidro, não há espelhos nem lâmpadas ou velas, ou qualquer outro tipo de objecto luminoso… a única coisa intacta nesta casa aparento ser eu. Mas certamente é porque ninguém me viu a noite passada, ninguém viu o meu sangue a escorrer-me pela cara e a difundir-se por todo o meu corpo, ninguém viu aquele sítio… mal consigo descreve-lo, também mal me lembro dele… Só me lembro da agonia que senti, do pânico, a dor, a minha própria morte e por fim o meu renascer, para enfrentar esta morte mais uma vez! Procuro no meu corpo qualquer sinal, qualquer marca de tortura que vivenciei esta noite, para provar a mim mesmo que não estou a enlouquecer. Sigo atentamente com os meus olhos todas as linhas do meu corpo, e ainda sinto a dor do peito onde me arrancaram o coração, mas nada encontro senão a minha pele lisa, rejuvenescida e sem qualquer imperfeição. Questiono-me agora por que me acontecem tais obscuridades, porque sofro eu esta maldição? Já nem sei quem sou, sei que estou vivo… por enquanto… e que estou destinado a este propósito eternamente! Desolado, tento arranjar forças onde elas não existem para continuar este percurso diabólico que apenas me recebe nos seus seios de terror.

Ergo a cabeça, abro as portas que me guiam para o exterior da minha sepultura e vivo a minha vida como ser humano aparentemente normal, recebo olhares de desprezo pelos que me rodeiam, e continuo a andar para o próximo beco onde me abstraio e esqueço tudo o que aconteceu… o escritório de venda de seguros»


David Glasgow